segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre o método de Panofsky

Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/art-history/1631361-iconografia-iconologia-arte-atrav%C3%A9s-seu/

Em 1939, o livro Estudos em Iconologia, Panofsky detalha suas idéias sobre os três níveis da compreensão da história da arte:
• Primário, aparente ou natural: o nível mais básico de entendimento, esta camada consiste na percepção da obra em sua forma pura. Tomando-se, por exemplo, uma pintura da Última Ceia. Se nós pararmos no primeiro nível, o quadro poderia ser percebido somente como uma pintura de treze homens sentados à mesa. Este primeiro nível é o mais básico para o entendimento da obra, despojado de qualquer conhecimento ou contexto cultural.
• Secundário ou convencional: Este nível avança um degrau e traz a equação cultural e conhecimento iconográfico. Por exemplo, um observador do Ocidente entenderia que a pintura dos treze homens sentados à mesa representaria a Última Ceia. Similarmente, vendo a representação de um homem com auréola com um leão poderia ser interpretado como o retrato de São Jerônimo.
• Significado Intrínseco ou conteúdo (Iconologia): este nível leva em conta a história pessoal, técnica e cultural para entender uma obra. Parece que a arte não é um incidente isolado, mas um produto de um ambiente histórico. Trabalhando com estas camadas, o historiador de arte coloca-se questões como "por que São Jerônimo foi um santo importante para o patrono desta obra?" Essentialmente, esta última camada é uma síntese; é o historiador da arte se perguntando: "o que isto significa"?
Para Panofsky, era importante considerar os três estratos como ele examinou a arte renascentista. Irving Lavin diz que "era esta insistência sobre o significado e sua busca - especialmente nos locais onde ninguém suspeitava que havia - que levou Panofsky a entender a arte, não como os historiadores haviam feito até então, mas como um empreendimento intelectual no mesmo nível que as tradicionais artes liberais".

Para Panofsky a História da Arte é uma ciência em que se definem três momentos inseparáveis do ato interpretivo das obras em sua globalidade: a leitura no sentido fenomênico da imagem; a interpretação de seu significado iconográfico; e a penetração de seu conteúdo essencial como expressão de valores. A arte medieval e do Renascimento (que estudou profundamente), estão definidos em seu livro Renascimentos e Renascimentos na Arte Ocidental.

Partindo da premissa de que a arte sempre trás consigo um sentido, Erwin Panofsky expõe em seu livro Significados das artes visuais<1>, a análise dos objetos imagéticos através de seu tema. Ao apresentar a arte por meio de seus aspectos temáticos, este teórico formula os conceitos iconografia e iconologia, orientando seu estudo a uma percepção não apenas simbólico cultural, mas também histórica. Para melhor compreensão destes conceitos, Panofsky mostra uma metodologia fundamentada em três níveis de análises, que, por sua vez, são baseadas na descrição, na identificação e na compreensão da obra de arte.
Segundo este estudioso, a análise temática deve ser iniciada através da descrição visual do objeto artístico. Esta descrição tem como finalidade identificar as formas puras, ou seja, os elementos, as cores, os formatos, assim como, as expressões e as variações psicológicas inerentes às imagens. Nomeado de pré-iconografia, este primeiro nível de observação, no qual o olhar minucioso é fundamental, é uma das bases para a boa compreensão simbólica contextual da obra de arte.
O segundo nível de análise, proposto por Panofsky, é baseado na identificação das imagens, estórias e alegorias que permeiam os costumes e as tradições de determinadas épocas e civilizações. Sendo apreendido por iconografia, este exame permite reconhecer a personificação de conceitos e símbolos em imagens. Segundo Panofsky, esta parte da análise se diferencia da primeira por causa de dois motivos: “em primeiro lugar por ser inteligível em vez de sensível e, em segundo, por ter sido conscientemente conferido a ação prática pela qual é veiculada<2>”.
Por fim, há o terceiro nível de observação, no qual a obra de arte é compreendida como documento histórico. Conhecida como iconologia, esta análise é feita através do condicionamento da arte a época e a sociedade na qual ela foi concebida. É a interpretação de imagens através dos princípios que norteiam a escolha, a produção e a apresentação das estórias e das alegorias presentes na obra de arte.
Portanto, Panofsky expõe os objetos artísticos como documentos, que juntamente a outras fontes se tornam passíveis de análise. Fazendo da arte uma importante ferramenta para compreensão de momentos e conjunturas históricas pelo historiador.

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